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Iniciativa promove a discussão sobre a estiagem que o RS passa a 3 anos, enfatizando os problemas ligados ao setor ferroviário.
Vanessa Gehm que é especialista em previsão do tempo e Clima e monitoramento de alertas no estado RS, destaca que o RS passa por um longo período de estiagem. Principalmente devido a atuação do fenômeno La Niña. A especialista ressalta que diversos setores do estado estão em atenção, desde bacias hidrográficas por conta dos níveis baixos dos rios, até o setor econômico do estado, devido a perdas significativas na agricultura e na pecuária.
Outro importante setor no sul do Brasil que vem sendo impactado por temperaturas elevadas é o setor ferroviário, que é importante como um meio eficiente e sustentável de transporte de mercadorias e pessoas, o que ajuda a aliviar o tráfego de veículos nas rodovias e a melhorar a logística da região. Além disso, as ferrovias também são responsáveis por transportar materiais e produtos agrícolas para todo o país, o que é vital para a economia local e nacional. Vanessa destaca que apesar do fluxo de trens ser menos intenso em comparação às demais regiões do Brasil, a região Sul tem grande importância no transporte de cargas em geral. Como por exemplo: minérios, grãos e produtos da área de construção.
A especialista que trabalha atua a 3 e 4 meses na Climatempo, salienta que o fenômeno La Niña favorece a atuação de bloqueios atmosféricos, que inibem o avanço normal dos sistemas meteorológicos, deixando as chuvas irregulares e com volumes pouco expressivos. Esses sistemas, além de diminuir a chuva, também inibem as nuvens, e consequentemente reduz a umidade do ar e eleva as temperaturas a valores extremos. Esses fatores, podem formar focos de queimadas nas áreas onde os trens passam, queimando os dormentes que sustentam os trilhos. E ainda, pode ocorrer a dilatação dos trilhos.
Neste mesmo sentido, altas temperaturas influenciam na dilatação dos trilhos e consequentemente podem causar rachadura dos trilhos, aumentando o desgaste dos materiais. Vale ressaltar que embora os trilhos tenham um nível máximo de dilatação, as altas temperaturas podem fazê-los dilatar acima do previsto. Vanessa destaca que algumas empresas de ferrovias têm ciência de que temperaturas acima dos 33°C trazem a atenção em áreas de circulação, pois durante o percurso, o atrito do trem com os trilhos, poderá aumentar mais as temperaturas dos trilhos, favorecendo a flambagem (trilhos retorcidos). Já temperaturas que superam os 33°C, podem acarretar a paralisação da circulação, evitando o descarrilamento de trens.
“É necessário um estudo das linhas férreas, buscando melhorias das áreas que já se encontram prejudicadas"
A especialista afirma a necessidade de um estudo climatológico das temperaturas, visando verificar onde ocorrem os maiores extremos. E uma segunda solução seria a implementação de termômetros ao lado das linhas, principalmente em trechos críticos com os objetivos de rápida paralisação quando necessário.
Vale destacar que o setor ferroviário brasileiro vive um momento de destaque na infraestrutura tendo sido celebrado recentemente o novo marco legal do setor, diminuindo a burocracia, regulando o modelo de autorização ferroviária e buscando uma maior racionalidade na matriz logística nacional.
O quanto um bom planejamento meteorológico é importante para empresas ferroviárias?
A meteorologista destaca um apanhado geral de sistemas meteorológicos que podem influenciar as mesmas, e ressalta que a prevenção de danos é um importante ponto: Desde deslizamento de terra, especial para áreas de encosta e solo frágil, inundações e enchentes em regiões baixas e incêndios florestais. Vale destacar outro importante fator que é o aumento de frequência e intensidade de tempestades. O que pode danificar as estruturas das ferrovias e interromper o tráfego, atrasando e prejudicando a pontualidade. Principalmente incêndios florestais, que podem prejudicar as ferrovias e obstruir a visibilidade. Como mencionado anteriormente, vale destacar que temperaturas elevadas podem afetar a qualidade dos materiais usados nas ferrovias, tornando-os mais vulneráveis ao desgaste. Em resumo, um planejamento meteorológico preciso e eficaz é fundamental para o sucesso e a segurança das operações ferroviárias.
por Guilherme Borges - Meteorologista Climatempo